Suas sobrancelhas arqueadas em expressão que beira a dor,
Expressão que beira amor.
O nome de seu amante em seus lábios,
Ela o repete como se pudesse ser ouvida, atendida.
Desejo, pecado, solidão.
O corpo dele era o lar, e ela dormia nas ruas.
Os outros cobiçavam a dama,
Mas ainda que seu corpo parecesse boêmio,
Sua mente ingênua lhe era fiel.
Os quadris juvenis dançavam movidos de paixão,
Os olhos se fechavam buscando sua imagem.
Seu maior medo era lhe decepcionar,
Trair-lhe com um pensamento involuntário se quer.
Irreverente ao mundo e submissa a um homem que não lhe via.
Pobre bacante, que nada sabe e tudo sente.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
sábado, 19 de dezembro de 2015
Eu sou a Terra dos Sonhos
Eu sou o tudo
Eu sou o nada
Eu sou o vagar por esta estrada.
Construída de sonhos e objetivos vãos
Trabalho acorrentada em prol da imagem, não da ação
Faço parte dessa complexa rede de pura ilusão
Que expressa por mim essa pequena centelha
Centelha que não satisfaz os desejos do mundo
Nos quatro cantos procurado
É seu sentido
Um dia talvez, amada será se o destino a perdoou
Acredite na força da mão
Ponha fé no que são
Refaça o Universo
Para ti, para outrem.
Harmônico, o bem e o mal.
Aconchega-se na terra e no mar
Desfrute o lar em que está
Eu sou o nada
Eu sou o vagar por esta estrada.
Trabalho acorrentada em prol da imagem, não da ação
Fere-me a percepção do perecimento do sonhar
Como matéria apodrecida que um dia já teve vida
Não sou o céu
Não sou o chãoFaço parte dessa complexa rede de pura ilusão
Não há brilho de diamante
Que dirá brilho de estrelaQue expressa por mim essa pequena centelha
Centelha que não satisfaz os desejos do mundo
Sou poeira do Universo
Potencial a ser explorado, sentido, tocadoNos quatro cantos procurado
É seu sentido
Frases feitas martelam a mente
Renegada criança, as lágrimas secouUm dia talvez, amada será se o destino a perdoou
Desperte, se erga
Encontre a razãoAcredite na força da mão
Ponha fé no que são
Para ti, para outrem.
Harmônico, o bem e o mal.
Aconchega-se na terra e no mar
Desfrute o lar em que está
Seja bem vindo a mim
Pois que eu sou a Terra dos Sonhos.sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Mas eu gosto da chuva...
Mas eu gosto da chuva. Apesar de molhar minhas roupas e passar-me frio, é delicioso para mim sentir as gélidas gotas entrarem em contato com meu corpo. Apesar de trazer-me lembranças, mostra-me que o eterno também passa. E que tudo possui uma beleza, uma necessidade, algo bom.
domingo, 1 de novembro de 2015
Recado da Minha Culpa
É culpa tua: todo
mundo sabe. É teu orgulho maior que teu ímpeto de ser feliz. Essa impulsividade
só te carrega pra fossa, mas não te empurra pra voar não. Tu sabes disso, só
estou reafirmando isso pra que tu não esqueças. Você não quer incomodar, quer
manter teus valores, quer sofrer pelo sofrimento alheio, mantém a palavra mesmo
que isso te fira. Honrada e infeliz. Esse é o objetivo da vida, é claro.
Mas e se as escolhas fossem outras?
Provavelmente você seria uma sem palavra, mas com um pouco mais de histórias.
Não feliz ainda. Nada muito melhor. Tu é que se afeta à toa.
“Não está fácil pra
ninguém” eles dizem. Pra uns está pior do que pra outros. Pra ti não está nem
tão ruim. Tu sabes. De qualquer forma, aproveite a estadia nessa tua fossa.
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
A Gente
Eu não queria nem desses amores sublimes de poeta, de romance idealizado, de música bonita.
Também não precisava ser desses amores de brasa, de carne.
A gente não precisava dessas coisas extraordinárias, a gente se fazia extraordinário.
Gosto de falar da gente, que até parece um só, até parece fácil e pertinho. O problema é que a vida complica tudo e a gente acha que não dá pra levar. Mas a gente faz de conta que dá.
Vamos fazer assim, cê me dá a mão e a gente vai. Simples, ué. Não tenta complicar, sem "mas". Aí a gente não se perde de vista, não se perde de toque.
A gente passa o dia deitado respirando o ar do outro e reclamando disso, mas não fazendo nada pra mudar porque tá bom assim. A gente reclama só para matar o tempo mesmo.
A gente tem coisas em comum. Ou talvez nem tanto. A gente conversa sobre nada. A gente conversa sobre a gente. Certeza que pelo menos isso temos em comum: o nada e a gente.
Cê me leva pra passear e me conta das coisas que cê sabe. A gente senta no chão, divide um lanche e eu te conto uma história pra te fazer sorrir.
Você me ajuda nuns trabalhos, eu te ajudo nuns trabalhos, e troca uns beijos no caminho.
A gente se interfere, influencia, atrapalha, convive.
A gente dá comida pra uns cachorros da rua e leva pra casa um dia.
A gente rega umas plantas e deixa os passarinhos fazer ninho.
A gente faz o nosso ninho.
Pintamos as paredes - eu espirro e você ri.
Limpamos a casa - você espirra e eu rio.
Não tem graça em espirrar. Tem graça em rir. A gente ri a veras. A gente tem certa graça. Silogismo bobo. A gente ri.
A gente faz uns duetos meia boca. Mas, na verdade, eles são os melhores.
Eu te suporto nesses sonhos de crianção. Você dá esse sorriso.
Tu me suporta nesses devaneios de criancinha. Eu fico rindo.
A gente se observa, se analisa, se participa, se entende.
A gente troca uns colos de vez em quando. Quase sempre.
E quando a gente briga, o mundo da gente desanda. Mas a gente volta. A gente sempre volta; e o mundo também. Equilíbrio não é estático; a gente muito menos.
Eu carrego os teus filhos, você me ajuda com o peso.
Você cuida dos meus filhos, eu te ajudo com o caminho.
A gente enche eles de sonhos e desse negócio que a ente partilha e chama de amor. A gente ensina, educa, protege e deixa eles ser feliz. São os filhos da gente.
A gente construiu tudo isso. Na base dos sonhos. Na base do amor. Na base da gente.
A gente só precisa de cultivo.
A gente só precisa ser real.
Cê me dá a mão?
Também não precisava ser desses amores de brasa, de carne.
A gente não precisava dessas coisas extraordinárias, a gente se fazia extraordinário.
Gosto de falar da gente, que até parece um só, até parece fácil e pertinho. O problema é que a vida complica tudo e a gente acha que não dá pra levar. Mas a gente faz de conta que dá.
Vamos fazer assim, cê me dá a mão e a gente vai. Simples, ué. Não tenta complicar, sem "mas". Aí a gente não se perde de vista, não se perde de toque.
A gente passa o dia deitado respirando o ar do outro e reclamando disso, mas não fazendo nada pra mudar porque tá bom assim. A gente reclama só para matar o tempo mesmo.
A gente tem coisas em comum. Ou talvez nem tanto. A gente conversa sobre nada. A gente conversa sobre a gente. Certeza que pelo menos isso temos em comum: o nada e a gente.
Cê me leva pra passear e me conta das coisas que cê sabe. A gente senta no chão, divide um lanche e eu te conto uma história pra te fazer sorrir.
Você me ajuda nuns trabalhos, eu te ajudo nuns trabalhos, e troca uns beijos no caminho.
A gente se interfere, influencia, atrapalha, convive.
A gente dá comida pra uns cachorros da rua e leva pra casa um dia.
A gente rega umas plantas e deixa os passarinhos fazer ninho.
A gente faz o nosso ninho.
Pintamos as paredes - eu espirro e você ri.
Limpamos a casa - você espirra e eu rio.
Não tem graça em espirrar. Tem graça em rir. A gente ri a veras. A gente tem certa graça. Silogismo bobo. A gente ri.
A gente faz uns duetos meia boca. Mas, na verdade, eles são os melhores.
Eu te suporto nesses sonhos de crianção. Você dá esse sorriso.
Tu me suporta nesses devaneios de criancinha. Eu fico rindo.
A gente se observa, se analisa, se participa, se entende.
A gente troca uns colos de vez em quando. Quase sempre.
E quando a gente briga, o mundo da gente desanda. Mas a gente volta. A gente sempre volta; e o mundo também. Equilíbrio não é estático; a gente muito menos.
Eu carrego os teus filhos, você me ajuda com o peso.
Você cuida dos meus filhos, eu te ajudo com o caminho.
A gente enche eles de sonhos e desse negócio que a ente partilha e chama de amor. A gente ensina, educa, protege e deixa eles ser feliz. São os filhos da gente.
A gente construiu tudo isso. Na base dos sonhos. Na base do amor. Na base da gente.
A gente só precisa de cultivo.
A gente só precisa ser real.
Cê me dá a mão?
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Interditado
Passeio na Lapa
Na chapa do pão
Um tapa na cara
Do pobre chorão
Periferia calada
Se joga no chão
Tiro na estrada
Polícia ou ladrão?
Cuidado com a terra
Que não te pertence
A expulsão te espera
E vem de repente
Pobre do pobre
Com sina ruim
Trabalha, trabalha
E espera seu fim
Na chapa do pão
Um tapa na cara
Do pobre chorão
Periferia calada
Se joga no chão
Tiro na estrada
Polícia ou ladrão?
Cuidado com a terra
Que não te pertence
A expulsão te espera
E vem de repente
Pobre do pobre
Com sina ruim
Trabalha, trabalha
E espera seu fim
domingo, 26 de julho de 2015
Margarida
Não chores, Margarida
Pois pecado algum, em sobriedade, cometeu
Teu pecado foi esquecido
Pois que o fez quando a loucura lhe acometeu
Nunca de ti foi digno
Apenas elogiando a tez
Queria lhe ser amigo
Bem querendo mal lhe fez
Deflorar-te não foi erro
Julgaram-te: eis a questão
Deixou-se abater em medo
Forçou-se à solidão
Tuas pétalas tornaram-se lágrimas
Seu rosto hão de adornar
Imploraste o perdão com lástima
Em paz, voltará ao lar
Por: Maria Clara L.
Pois pecado algum, em sobriedade, cometeu
Teu pecado foi esquecido
Pois que o fez quando a loucura lhe acometeu
Nunca de ti foi digno
Apenas elogiando a tez
Queria lhe ser amigo
Bem querendo mal lhe fez
Deflorar-te não foi erro
Julgaram-te: eis a questão
Deixou-se abater em medo
Forçou-se à solidão
Tuas pétalas tornaram-se lágrimas
Seu rosto hão de adornar
Imploraste o perdão com lástima
Em paz, voltará ao lar
Por: Maria Clara L.
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