domingo, 28 de junho de 2015

O Gênio

Indecifráveis e profundos
Portais são olhos de poeta
Sem luar, estou no escuro
Sem que fazer, entrei na cela.

Despreparada afrontei o medo
Proveitosa sensação
Abri a porta ao desespero
Pedi auxílio, disse-me não

Meu afeto lhe dedico e sua dedicação me afeta
Mas quando em solidão me encontro
Temo estender-lhe a mão e adiantar-lhe a queda

De intrusa, ouvi teus pensamentos, sentimentos, emoção
Reagiste e mostraste o monstro
Mas o aprouve-me o anjo de compaixão


Por: Maria Clara L.

domingo, 21 de junho de 2015

Morada

Vivia em esfera lustrosa
A dama que se importava
Cena triste não podia ver
Pois que em choro se debulhava

Casinha de pau a pique
Na foto era ilustrada
A moça derramou as lágrimas
E a casa foi desmanchada

Senhora, seque os olhos
Sai de tua eterna estada
Pois choro algum um dia
Reconstruiu uma morada


Por: Maria Clara L.

terça-feira, 3 de março de 2015

Dona Capitolina

Capitu passa sem saber,
Sem intentar tomar-me
Com esses olhos de ressaca.

Capitu caminha sem perceber
Que meu olhar intruso
Acompanha-lhe na estrada.

Suas costas esguias
Fascinam quem vê.
Sua pele dourada
Tenta quem lhe sente.

Seu rosto ilumina
O próprio amanhecer.
Seus olhos afogam
O marujo experiente.

Mas a senhora não me nota e se vai.
E permaneço a pensar no que nela me atrai.

Dona Capitolina parte então sem entender
Minha admiração e encanto pela beleza de seu ser.


Por: Maria Clara L.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Conhecer

Não o conheço.
Meus olhos não o conhecem de forma alguma.

Ainda assim, meu corpo reage a tua presença,
A tua simples menção e memória.
Engano-me e justifico em vulgaridades,
Afinal ainda é dia para querer-lhe.

Distraio-me e pisco.
Oh, quão grata sou a este movimento involuntário e esclarecedor.
Com os olhos fechados tudo se torna claro:
Não lhe conheço o corpo.
Eu lhe conheço a alma.


Por: Maria Clara L.

Mergulho

Os férteis sais em meus olhos
Multiplicam o oceano que contenho.
Afundo no impensável e não me molho,
Entristeço sem mudar o cenho.

O céu é pura rocha,
Impenetrável é o meu lugar.
O mar me aclama,
E eu sou Ismália.

Todos os sorrisos são tristes,
Tenho medo de todos os corpos.
Ainda mais aversão pela alma do forte.

Nunca senti nada real,
E o tom denuncia o fatal:
Apenas vivi enquanto estava na morte.

Por: Maria Clara L.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Poço de Tinta

Triste é a caneta que não faz poesia,
Que não faz arte ou que não cria.
De nada vale cem páginas,
Dez provas zeradas ou uma questão.
Caneta que não produz expressão
Copia e se reduz,
Se fere, se acaba,
E morre sem luz.

Lânguida Infante

Olhos mascarados com doce languidez,
Corpo e compostura que atua e insinua.
O orgulho se remonta em altivez
E a pulsação desconta: "Sou tua, sou tua".

Seus lábios vertiginosos de criança que mente
Negam até o fim sua condição de amante.
Ocultam a angústia corrente
De seu pequeno coração infante.

Até mesmo olhar singelo
De suposta compreensão
Se transforma em megaevento
Na vida de que conhece a solidão,

Por suas paixões, insinuou-se ardilosa
Meninice convertida em tentação ruidosa
Com seus impulsos contidos por teimosia juvenil
Tanto fez que aos desejos e vícios o outro sucumbiu.

Por: Lucia Cordato