quarta-feira, 1 de junho de 2016

coque e metrô

essa vida de coque e metrô não me pertence
eu vivencio o mundo é com os pés descalços e um vento gostoso no rosto
pertenço aos artistas e não aos mandantes
os ricos acumulam pra viver bem, mas só sobrevivem
os pobres trabalham para sobreviver, e, quando se veem livres, vivem
passo longe da egocentria anciã dos afetados
sorrio para os que trançam suas emoções com eterna alegria juvenil

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Pardon, ami.

Não diga que não tive coração,
Pois que minha mente agiu sob intenções que não entendia.
Para que a razão de analisar-te a alma
E tomar-lhe os sentimentos, se não pude distinguir o que sentia?

Perdoe-me, amigo.
Perdoe-me por não me conhecer o suficiente para não lhe ferir.
Perdoe-me por não perdoá-lo.
Perdoe-me por não perdoar-me.

Sou Atlas e o mundo de culpa recai-me aos ombros.
Anseio pela vida em que eu me estabilize,
Em que eu me perdoe,
Em que eu entenda o amor em sua verdadeira face.

Não lhe peço que me ensines a amar,
Não lhe peço que faça nada por mim,
Pois que não o mereço.
Peço apenas, amigo, que me perdoe.

Pardon. Je suis désolé, ami. Pardon.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

não sei por onde começar

não está tão frio assim
tenho algumas ideias na cabeça
não sei por onde começar de novo
começo por você porque já é de praxe
sempre foi mais fácil especular sobre o dentro do outro do que sobre o nosso próprio dentro

você é só olhar
aqueles olhos grandes cheios de coração remexido e guardado
não sou nem doida de tentar arrumar
prefiro dançar nesse salão bagunçado
até as coisas irem pro lugar com o vento dos meus rodopios

eu tinha saudades quando não te via
não lembro dos nossos planos
mas a gente se acha
mesmo depois de uma tarde por aí
ou uma noite por aqui
embaixo das estrelas que caem sobre nossas faces

há uma mensagem nelas
eu não consigo ler
talvez não estejam caindo

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Prazer em conhecê-lo

Rótulos demais, trejeitos demais.
Não os quero, dispenso.

Quem és tu pra dizer o que sinto ou o que penso?
Não sabes de nada, cale-se.
Não quero ouvir.

Não.

Rótulos de menos, trejeitos demais.
Assim está melhorando.

Espero que goste do que penso.
Ainda guardo um pouco.
Acho que prefiro assim.

Talvez.


Rótulos de menos, trejeitos de menos.
Bom, sendo assim...

Sinto tudo isso. Pronto, falei.
Estava certo desde a metade.
Guarda meu carinho com cuidado.

Sim.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Conjugar


São 2 da manhã e eu acordei pensando em amar. A gente ouve umas coisas sobre e concorda, né. É bom mesmo essa coisa de amar. É verbo, a gente ta sempre conjugando. Era o único que eu gostava de conjugar em todos os tempos e modos, mas meu favorito era o presente. Era o mais facil. Se não é dificil conjugar amar no presente e no papel, não há de ser no mundo. Amor bom é amor facil.
  Bom mesmo é eu te amar desse jeito que tu é. Bom mesmo é tu me amares do jeito que eu sou. E se a gente mudar no caminho, a gente muda junto e de mãos dadas.
   Bom mesmo é eu precisar e você também. É pedir pro Universo e ele fazer a gente se resolver. A gente é possibilidade. A gente sabe amar.
  Como assim não sabe? Claro que sabe. A gente se permite, se aceita, se partilha. A gente caminha juntos e faz as coisas simples e bonitas. A gente se conjuga.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Faz de conta que o café tá frio

Boa tarde, senhor. Já é quase boa noite. É, verdade.
Eu estava pensando, sabe?
Quero uma poesia mais simples.
Sem contagem de verso, sem rima obrigatória, sem muita intensidade, só com uns cadinhos grandes de coração bom mesmo.
Quero uma poesia de correr sem conseguir parar, de riso que não consegui prender, de sorriso que faz os moços chamarem pra dançar, que faz as crianças dançarem ciranda.
Uma poesia, nem a poesia.
Poesia que pousa no coração.
Poesia delicada que nem o soprar de um fogo pequenininho, de sair a fumacinha bonita e rodopiante.
Poesia que faz a gente ouvir uma música bonita no pé do ouvido da imaginação.
Poesia de fugir do pôr do sol pra ter mais tempo pra brincar.
Como assim já é bom dia? Passei a noite toda sonhando, senhor?
Desculpe, então, bom dia.
Então, me vê um café pra eu ver a fumacinha subir.
Esse café tá frio. Faz de conta que você bota pra esquentar de novo.
Obrigada.
Bonita fumacinha.
Pronto, agora vamos brincar de outra coisa.

Antes

Quero fazer parte disso antes que eu me esqueça.

E eu não quero esquecer da criança que corre
E que voa com os olhos fechados e o coração aberto.

Casas cheias de problemas, mas cheias de vida.
Céu cheio de sonhos e sorrisos doces.

Estou no alto, mas sou pequeno.
E há imensa beleza nisso.
Desço correndo, mas permaneço na altitude do meu devaneio.
E há razões curiosas nesse desvario.

Faço parte disso, mas, agora vejo, nunca hei de esquecer.