Capitu passa sem saber,
Sem intentar tomar-me
Com esses olhos de ressaca.
Capitu caminha sem perceber
Que meu olhar intruso
Acompanha-lhe na estrada.
Suas costas esguias
Fascinam quem vê.
Sua pele dourada
Tenta quem lhe sente.
Seu rosto ilumina
O próprio amanhecer.
Seus olhos afogam
O marujo experiente.
Mas a senhora não me nota e se vai.
E permaneço a pensar no que nela me atrai.
Dona Capitolina parte então sem entender
Minha admiração e encanto pela beleza de seu ser.
Por: Maria Clara L.
terça-feira, 3 de março de 2015
domingo, 14 de dezembro de 2014
Conhecer
Não o conheço.
Meus olhos não o conhecem de forma alguma.
Ainda assim, meu corpo reage a tua presença,
A tua simples menção e memória.
Engano-me e justifico em vulgaridades,
Afinal ainda é dia para querer-lhe.
Distraio-me e pisco.
Oh, quão grata sou a este movimento involuntário e esclarecedor.
Com os olhos fechados tudo se torna claro:
Não lhe conheço o corpo.
Eu lhe conheço a alma.
Por: Maria Clara L.
Meus olhos não o conhecem de forma alguma.
Ainda assim, meu corpo reage a tua presença,
A tua simples menção e memória.
Engano-me e justifico em vulgaridades,
Afinal ainda é dia para querer-lhe.
Distraio-me e pisco.
Oh, quão grata sou a este movimento involuntário e esclarecedor.
Com os olhos fechados tudo se torna claro:
Não lhe conheço o corpo.
Eu lhe conheço a alma.
Por: Maria Clara L.
Mergulho
Os férteis sais em meus olhos
Multiplicam o oceano que contenho.
Afundo no impensável e não me molho,
Entristeço sem mudar o cenho.
O céu é pura rocha,
Impenetrável é o meu lugar.
O mar me aclama,
E eu sou Ismália.
Todos os sorrisos são tristes,
Tenho medo de todos os corpos.
Ainda mais aversão pela alma do forte.
Nunca senti nada real,
E o tom denuncia o fatal:
Apenas vivi enquanto estava na morte.
Por: Maria Clara L.
Multiplicam o oceano que contenho.
Afundo no impensável e não me molho,
Entristeço sem mudar o cenho.
O céu é pura rocha,
Impenetrável é o meu lugar.
O mar me aclama,
E eu sou Ismália.
Todos os sorrisos são tristes,
Tenho medo de todos os corpos.
Ainda mais aversão pela alma do forte.
Nunca senti nada real,
E o tom denuncia o fatal:
Apenas vivi enquanto estava na morte.
Por: Maria Clara L.
domingo, 7 de dezembro de 2014
Poço de Tinta
Triste é a caneta que não faz poesia,
Que não faz arte ou que não cria.
De nada vale cem páginas,
Dez provas zeradas ou uma questão.
Caneta que não produz expressão
Copia e se reduz,
Se fere, se acaba,
E morre sem luz.
Que não faz arte ou que não cria.
De nada vale cem páginas,
Dez provas zeradas ou uma questão.
Caneta que não produz expressão
Copia e se reduz,
Se fere, se acaba,
E morre sem luz.
Lânguida Infante
Olhos mascarados com doce languidez,
Corpo e compostura que atua e insinua.
O orgulho se remonta em altivez
E a pulsação desconta: "Sou tua, sou tua".
Seus lábios vertiginosos de criança que mente
Negam até o fim sua condição de amante.
Ocultam a angústia corrente
De seu pequeno coração infante.
Até mesmo olhar singelo
De suposta compreensão
Se transforma em megaevento
Na vida de que conhece a solidão,
Por suas paixões, insinuou-se ardilosa
Meninice convertida em tentação ruidosa
Com seus impulsos contidos por teimosia juvenil
Tanto fez que aos desejos e vícios o outro sucumbiu.
Por: Lucia Cordato
Corpo e compostura que atua e insinua.
O orgulho se remonta em altivez
E a pulsação desconta: "Sou tua, sou tua".
Seus lábios vertiginosos de criança que mente
Negam até o fim sua condição de amante.
Ocultam a angústia corrente
De seu pequeno coração infante.
Até mesmo olhar singelo
De suposta compreensão
Se transforma em megaevento
Na vida de que conhece a solidão,
Por suas paixões, insinuou-se ardilosa
Meninice convertida em tentação ruidosa
Com seus impulsos contidos por teimosia juvenil
Tanto fez que aos desejos e vícios o outro sucumbiu.
Por: Lucia Cordato
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Queria ser Flor
Não queria ser gente. Queria ser flor.
Não queria ser carne. Queria ser flor.
Não queria ser podre, adoecida. Queria ser flor.
Viver no mundo, não matar, não destruir, não ferir. Queria ser flor.
Queria cumprir minha função. Embelezar, atrair, perfumar, reproduzir, agradar, dar frutos. Queria ser flor.
Não sentir, apenas deixar. Não sofrer, nem afazer. Queria ser flor.
Ter uma vidinha que continuaria sem sentido, não me engano. Mas ser ciclo. Ciclo belo e de beleza profunda. Sem filosofias melancólicas. Queria ser flor.
Simples e suficiente. Vivo sem notar. Morro sem perceber. Me disperso, agora sou ar. Sou vento, sou mar, sou terra, sou ser.
Sou flor.
Por: Maria Clara L.
Não queria ser carne. Queria ser flor.
Não queria ser podre, adoecida. Queria ser flor.
Viver no mundo, não matar, não destruir, não ferir. Queria ser flor.
Queria cumprir minha função. Embelezar, atrair, perfumar, reproduzir, agradar, dar frutos. Queria ser flor.
Não sentir, apenas deixar. Não sofrer, nem afazer. Queria ser flor.
Ter uma vidinha que continuaria sem sentido, não me engano. Mas ser ciclo. Ciclo belo e de beleza profunda. Sem filosofias melancólicas. Queria ser flor.
Simples e suficiente. Vivo sem notar. Morro sem perceber. Me disperso, agora sou ar. Sou vento, sou mar, sou terra, sou ser.
Sou flor.
Por: Maria Clara L.
terça-feira, 25 de novembro de 2014
O Autonômato
Sou autônomo
Autocorrigido e autoavaliado
O Estado me condiz
O agir bem calculado
Conheço as leis que eu mesmo quis
Sou autônomo
Sou ser, sou homem, cidadão
Com o sistema satisfeito
Meus desejos são direitos
Manifesto aprovação
Sou autônomo
Abri mão da liberdade
Pela paz e segurança
Muito mais livre sou agora
Diante de tamanha temperança
Sou autônomo.
Sou autônomo?
Posso ser punido, posso ser julgado
Competente e incapaz
O agir bem controlado
A conhecer as leis me obrigais
Sou autônomo?
Sou ser, sou homem, cidadão
Pelo sistema desprezado
Meus desejos não acatados
Manifesto: voz de prisão
Sou autônomo?
Abriram mão de minha liberdade
Por sua paz e segurança
Forçado voto em alguém
Que não merece minha esperança
Sou autômato.
Por: Maria Clara L.
Autocorrigido e autoavaliado
O Estado me condiz
O agir bem calculado
Conheço as leis que eu mesmo quis
Sou autônomo
Sou ser, sou homem, cidadão
Com o sistema satisfeito
Meus desejos são direitos
Manifesto aprovação
Sou autônomo
Abri mão da liberdade
Pela paz e segurança
Muito mais livre sou agora
Diante de tamanha temperança
Sou autônomo.
Sou autônomo?
Posso ser punido, posso ser julgado
Competente e incapaz
O agir bem controlado
A conhecer as leis me obrigais
Sou autônomo?
Sou ser, sou homem, cidadão
Pelo sistema desprezado
Meus desejos não acatados
Manifesto: voz de prisão
Sou autônomo?
Abriram mão de minha liberdade
Por sua paz e segurança
Forçado voto em alguém
Que não merece minha esperança
Sou autômato.
Por: Maria Clara L.
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